domingo, 26 de julho de 2009

A importância de se manter a INOVAÇÃO simples

Esta reportagem da HSM relata um case de uma empresa de TI que poderia ter se tornado uma Google mas que perdeu sua oportunidade focando em pensamentos "megalomaníacos" no lugar de focar no tripé estratégia, simplicidade e ação.

No ano 2000 uma start-up tinha um projeto fantástico, baseado nos algoritmos criados por um programador brasileiro, procuraram uma agência para começar a criar a comunicação – o nome da empresa, a marca, o conceito geral. O que eles pretendiam fazer, entre outras coisas, era uma incrível “indexação” da internet. A primeira reunião durou várias horas, até porque, não era simples entender a extensão do que eles pretendiam. Alguns dias depois, recebemos outro telefonema do nosso cliente start-up: ele queria rever algumas coisas no briefing, que mudava inclusive a definição de público-alvo e o mercado de atuação da empresa, tornando tudo ainda maior e mais rentável. Uma semana depois durante a apresentação da idéia eles já haviam mudado de novo o conceito do seu projeto. Nos quatro meses seguintes foram criados vários nomes, marcas, conceitos, folders e roteiros de filmes. Quinzenalmente, eram apresentadas novas visões que deveriam traduzir a grandeza do que a empresa estava fazendo. Em cada uma das reuniões, eram apresentados novos planos, cada vez mais complexos e ambiciosos.

A tecnologia deles era, mesmo fantástica e me lembra até hoje muito do que o Google vem fazendo. Eles tinham isso nas mãos antes da patente do sistema do Google. Mas eles não conseguiram decidir por um plano de ação! Não conseguiram definir uma estratégia única. Não conseguiram fechar o foco e colocar algo no mercado. Se você se lembra do início do Google, ele era “apenas” um sistema de busca mais eficiente. Muito mais do que estar baseado no Brasil, enquanto o Google estava baseado em Stanford; foi a decisão de dar uma forma simples, “é um mecanismo de busca – melhor que os outros” que fez a diferença entre o Google que nós usamos hoje e o Google-que–poderia-ter-sido. Poderia ter sido brasileiro. Se tivesse havido foco, decisão e simplificação. Se houvesse sido lançado teria uma boa chance de ser bem sucedido, mesmo que ainda não fosse perfeito, porque as pessoas iriam começar a usar e ele poderia evoluir com a ajuda de seus usuários. Inovação é resultado, é face pública, é o que as pessoas vêem e usam. O Google deixou de ser um projeto da Universidade de Stanford e virou um produto e uma grande companhia porque se tornou, rapidamente, um produto inovador e melhor que os outros – e tudo isso aconteceu porque ele foi colocado no mercado.

O que aconteceu com a empresa start-up? Ela seguiu pesquisando e aperfeiçoando seu incrível produto por mais e mais meses. Mas o tempo foi fatal: veio o estouro da bolha da internet. Os investidores encolheram. O capital de risco desapareceu. A falta de capital obrigou o desmantelamento da equipe e eliminou os investimentos destinados a divulgar a novidade. E no fim, o produto nunca foi lançado. Enquanto isso, em Stanford, Larry Page recebeu a patente do sistema Google. E o mundo das buscas on-line nunca mais foi o mesmo.


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