A Inovação de Valor é a junção do conceito de estratégia voltada para a INOVAÇÃO, Gestão da INOVAÇÃO, com o conceito de Percepção de VALOR e Geração de VALOR. Parte da visão de que, para se conseguir gerar resultados diferenciados e sustentáveis a médio-longo prazo as empresas devem desenvolver ao mesmo tempo a INOVAÇÃO e o VALOR. A INOVAÇÃO sem VALOR pode gerar ótimas soluções tecnológicas, porém sem alinhamento com as aspirações do mercado ou fora do timing. O problema timing geralmente ocorre quanto temos a solução certa, mas levada ao mercado antes que o mesmo atinja o estagio de amadurecimento para poder dar à solução tecnológica o devido valor. O VALOR sem INOVAÇÃO acarreta diferenciais competitivos geralmente frágeis e de pouca duração, pois, devido à sua natureza, acabam gerando diferenciais sem solidez ou diferenciais facilmente copiáveis. Uma solução uma vez difundida perde seu VALOR diferencial.
A Inovação de Valor integra diferentes idéias de diferentes origens que trabalham muito em conjunto. Ela é um eclético mix tão original quanto à INOVAÇÃO em si e tem quatro pontos chave:
1. Evitar a concorrência direta: procurar desenvolver novos mercados e criar novas demandas. Pesquisas do INSEAD mostram que as inovações mais bem sucedidas ocorrem quando uma empresa encontra uma oportunidade de explorar uma demanda completamente nova ou um mercado ainda não atendido, e quando esta oportunidade não representa uma competição direta.
2. Curvas de Valor: a curva de valor é tanto um instrumento de diagnóstico como um modelo de desenvolvimento de uma estratégia de Inovação de Valor. Com ela se busca identificar os principais atributos de valor para o mercado e verificar o grau de valoração dada pelo mercado a cada um desses atributos e o posicionamento dos principais concorrentes.
3. As seis fronteiras da análise: o processo de desenvolvimento de uma estratégia de Inovação de Valor deve explorar seis fronteiras para se definir novas curvas de valor. Estas seis fronteiras são:
· Examinar os setores alternativos. Procurar analisar os concorrentes de uma forma mais ampla considerando todos os possíveis concorrentes que atendam as necessidades ou aspirações do mercado.
· Examinar os grupos estratégicos dentro dos setores. As empresas tendem a se aglomerar em grupos com modelos de negócio e curvas de valor semelhantes. Inovadores podem evitar a concorrência direta se posicionando entre estes grupos.
· Examinar a cadeia de compradores. Existem outros sujeitos que influenciam a decisão de compra além do comprador direto, conhecer todos os players envolvidos na decisão de compra e entender suas posições e influência gera um grande diferencial estratégico.
· Examinar as ofertas de produtos e serviços complementares. Poucos produtos são usados isoladamente sem ter alguma relação direta ou indireta com outros produtos. Buscar entender holisticamente todo o processo de uso e geração de valor do seu produto ao cliente pode gerar um grande diferencial competitivo.
· Examine os apelos funcionais e emocionais dos compradores. Geralmente as estratégias de venda são focadas apenas nos valores funcionais ou nos fatores emocionais, porém a junção de ambas abordagens podem maximizar os resultados das vendas.
· Examine o transcurso do tempo. Buscar analisar o timing do mercado gera uma visão do momento ótimo para a tomada das decisões e introdução de soluções tecnológicas no mercado, o que reduz fortemente o risco intrínseco a inovação.
4. Método de entrevista DILO: Inovação de Valor tem uma forte orientação para o cliente. Ao desenvolver uma estratégia de Inovação de Valor, no lugar do tradicional aprouche de focus group deve ser usado uma profunda e detalhada entrevista com consumidores individualmente.
A Inovação de Valor é uma metodologia que atende perfeitamente às necessidades das EBTs nascentes de construírem estratégias inovadoras coerentes com o grau de inovação de seus produtos. O uso do conceito de Inovação de Valor pelas EBTs concede a estas empresas um diferencial competitivo e um mapa do caminho para se consolidarem no mercado, sem precisarem consumir suas energias em conflitos com competidores normalmente maiores e com mais recursos que elas.
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